Publicações de 2021
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Tese - Silvia Regina Bottezini
Dinâmica vegetacional, influência continental sobre a produtividade oceânica e as mudanças climáticas no sul do Brasil no Quaternário tardio
Silvia Regina Bottezini (Currículo Lattes)
Resumo: A partir da análise de palinomorfos continentais e marinhos e da comparação destes com proxies de paleoprodutividade recuperados do testemunho SIS 188, coletado no talude da Bacia de Pelotas, o presente estudo teve como objetivos entender a dinâmica da vegetação continental e compreender o papel da influência continental sobre a produtividade oceânica ao longo do Quaternário Tardio. O registro documenta o intervalo de tempo entre 47,8 e 7,4 cal ka BP e inclui os Estágios Isotópicos Marinhos (EIM) 3, 2 e 1 (parcialmente). A assembleia polínica indica que os campos dominaram a paisagem no Sul do Brasil ao longo do intervalo estudado, refletindo a flora típica do Planalto Leste do Estado do RS, localizado na mesma latitude do testemunho. Desta forma, a poeira carregada pelos ventos e as descargas dos rios Mampituba e Araranguá, seriam as principais fontes dos palinomorfos, ao invés da Corrente Costeira Brasileira (CCB). Entre 47,8 e 33,3 cal ka BP, ambientes úmidos, como pântanos, se expandiram e as florestas foram reduzidas. Durante o Último Máximo Glacial (UMG), houve uma expansão dos campos e a redução dos indicadores florestais, refletindo um clima mais frio e seco. De 19,5 a 7,4 cal ka AP, as mudanças ambientais do início do Holoceno e do degelo propiciaram o desenvolvimento das florestas, refletindo um clima mais quente e úmido. O pico na porcentagem do grupo “Árvores” em 15,9 cal ka BP é atribuído ao Evento Heinrich 1. As análises dos proxies de paleoprodutividade indicaram que durante os intervalos glaciais (EIMs 3 e 2), a produtividade esteve atrelada à intensificação dos processos de ressurgência e ao transporte de poeira. Ao final do EIM 2, houve uma queda nas concentrações polínicas, que foi intensificada no EIM 1, atribuída à subida do nível do mar e ao enfraquecimento dos ventos de sudoeste. Neste intervalo a produtividade foi alta, embora as concentrações de palinomorfos de origem continental tenham diminuído muito. Ademais, a correlação entre a Razão N e a concentração polínica só é significativa quando se excluem as amostras deste EIM, indicando que o aumento do nível do mar interfere na fertilização pelo aporte continental das águas marinhas distantes da costa.
Palavras-chave: Palinomorfos; Vegetação; Paleoprodutividade; Bacia de Pelotas.
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Tese - Wilton Aguiar Carvalho Silva Filho
A circulação de revolvimento meridional doAtlântico em 8,2 ka AP: Forças e respostas
Autor: Wilton Aguiar Carvalho Silva Filho (Currículo Lattes)
Resumo
O Hemisfério Norte passou por um evento extremo de resfriamento 8200 anos antes do presente, chamado de evento de 8,2 ka. Este evento foi iniciado pela liberação de grandes quantidades de água de degelo no mar do Labrador, diminuindo assim a convecção profunda no Atlântico Norte e o transporte meridional de calor do Atlântico. Ainda que o evento e 8,2 ka AP seja comumente associado como um análogo para a resposta climática do potencial futuro derretimento do manto de gelo da Groenlândia, incertezas relativas à magnitude dos fluxos de água de degelo e a expressão destes no Hemisfério Sul dificultam comparações mais diretas com projeções climáticas futuras. Nesta tese, campos e séries temporais de temperatura da superfície do mar (SST) e de razão isotópica de oxigênio ( δ18 O) derivadas de 28 simulações do sistema terrestre foram comparadas com 35 reconstruções paleoclimáticas das mesmas variáveis a fim de se estimar os fluxos de água doce responsáveis por iniciar o evento de 8,2 ka. As simulações feitas neste trabalho apontam que um fluxo de água equivalente a 7,5m de aumento do nível do mar liberado durante 1000 anos (9 ka – 8 ka) representa melhor as anomalias nas reconstruções de SST e δ 18O, sendo potencialmente o fluxo de água doce gerador do 8,2 ka. A estimativa feita nesta tese para o fluxo de água doce gerador do8,2 ka é da mesma ordem de magnitude que os fluxos de degelo estimados para o potencial descongelamento do manto de degelo da Groenlândia no cenário de altas emissões de CO2 (7,2 m em SLR, RCP8.5). Considerando esta similaridade entre os dois cenários de descarga de água doce, foi efetuada uma análise adicional das anomalias climáticas do 8,2 ka no Atlântico Sul e América do Sul baseando-se em reconstruções de SST e precipitação para o Hemisfério Sul. As reconstruções apontam que a desaceleração na Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico duranteo8,2 ka aumentou a evaporação sobre o Atlântico Tropical, intensificando o Sistema de Monções da América do Sul (SAMS). A similaridade das descargas de água doce durante o 8,2 ka e no RCP8.5, quando interpretada juntamente como sinal de intensificação do SAMS durante o evento passado, aponta que uma intensificação do SAMS é uma possível consequência do potencial futuro derretimento da Groenlândia.
Texto completo: Tese_final_Wilton.pdf